Sempre desenhei ou escrevi e nunca mostrei a ninguém.
Tenho certeza de que em pelo menos alguma fase de sua vida ou hoje você se compromete com a frase acima. Você não está sozinho.
Vivemos em uma cultura em que se valoriza muito o racional em detrimento do emocional, passional. Você já esteve naquele bom e velho jantar de natal onde seu primo, que tem a mesma idade que você e depende tanto financeiramente dos pais quanto você nesse momento, é ovacionado por passar no vestibular de medicina e você se recolhe cabisbaixo sem contar sobre a sua matrícula naquele curso fantástico de música.
Por que ainda valorizamos mais as profissões banais do que as outras? Por que ainda pensamos que elas trazem mais dinheiro e sucesso? Você já se pegou fazendo isso em algum momento também que eu sei.
A verdade é que hoje em dia isso não é mais uma verdade absoluta. Tenho amigas doutoras desempregadas e amigos de áreas artísticas que estão bem de vida. Isso é um fato.
Então eu te pergunto: Você acredita mesmo que precisa desenhar escondido nas horas vagas entre uma aula da faculdade e outra, ou usa isso como autossabotagem porque tem medo de expor algo tão íntimo que você cria e de repente o mundo ser cruel em resposta?
Quer sabre? Uma parcela dele será cruel de qualquer maneira. Esteja você de ter toda executiva no calor do centro da cidade ou usos o que ele convém enquanto exibe seu trabalho, aquele feito por você e para você com o maior prazer do mundo. Não pareceu uma notícia tão boa assim, não é? Eu te explico porque, na verdade é sim: Se você toma consciência da crueldade do mundo, você deixa de ter medo dela. No dia que você perceber que não adianta usar toda sua força para esconder o que você é de verdade, pois em algum momento você não vai se encaixar de um jeito ou de outro, você resolve ser você. Porque é mais fácil e gratificante receber a crueldade do mundo quando você mostra e faz aquilo que realmente você representa, do que quando você está gastando toda usa energia tentando ser legal pra um mundo que vai ser escroto de qualquer maneira.
E no momento em que você vira a chave e não apenas descobre isso, mas entende todo o sentido contido nessa verdade, no momento em que o clique iluminado desperta dentro de você, algo mágico acontece. Quando você acorda e se abre para o mundo, ele sorri de volta. Sério. Claro que você ainda vai ter que lidar com meia dúzia de pessoas que ainda não entenderam nada e saíram por aí cortando a onda alheia, mas acredite, elas nunca serão a maioria.
Eu não estou falando que você deveria correr para faculdade ou emprego fixo e amanhã largar tudo para viver de arte por aí, por mais que a gente tenha uma visão bem romantizada desse momento por filmes, ele exige maior planejamento, pois queremos fazer o que amamos, mas ainda recebemos os boletos no início do mês. A minha intenção aqui hoje é apenas te alertar de que por mais desconstruído que você seja, talvez você ainda tenha conceitos pré-fixos que provavelmente você herdou de alguém que está desatualizado.
Minha sugestão é: pega aquele caderninho, aquele vídeo cantando ou dançando escondido a sete chaves e compartilha. Aproveita que a tecnologia nos permite a exposição, não exposição, afinal você vai submeter seu trabalho à crítica alheia na privacidade do seu quarto. Joga quem você é para o mundo e deixe seus medos de lado, a vida é muito curta pra ser levada tão a sério, esta aí uma frase que deveria ser escrita em todo canto.
Então estamos combinados? Tira essa máscara que não te serve mais, joga uma água gelada nesse rosto que já cansou de ficar escondido e ilumina o mundo com o que você tem por dentro que mais te alegra. Sem medo, sem amarras.
Se o mundo sorri pra você, vem me contar?
